crua
fera, anjo, rebelde, noviça…
caminha acorrentada a si mesma
como cão mordendo a guia
de dia é trovão e de noite é de dia
-
de tão transparente quase não foi vista
toda de branco levando coágulos
de sangue espalhados na virilha
“me perdoa?” eu não perdoaria
-
por nunca mais lhe dar flores
por esquecer quais as suas favoritas
crucificada no peito da vida, renasce crua
como ferida exposta que não cicatriza


