trajeto
ou: não sei onde ir mas quero chegar
quando muito novo,
sentei na beirada da calçada
vendo uma infinidade de estradas
e não sabendo qual seguir
esperando a vida me dizer:
“vai, é por ali, pode ir”
…
depois de vinte e seis anos
não houve voz nenhuma
apenas a minha, de espanto
…
como não recebi manual
acabei pulando etapas
fazendo mal, forçando barras
existe um conforto
inexplicável em adiar
…
o meu estrelato
virou um fino pó estelar
que cobre a estante
de troféus quase ganhos
por esforços medianos
…
tenho pensado em pendurar
minha medalha
de antepenúltimo lugar
na parede rachada
que sustenta a casa
que sonhei em deixar
…
hoje em dia ela me abraça
lembrando que,
como eu mesmo,
ela não sai nunca do lugar


